Saiba qual é a missão de Anderson Possa no BNB

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“Encontro de Líderes – 2018 do Inec, que reuniu “900 lideres” da entidade no Hotel Praia das Fontes.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

Romildo Rolim balançou, balançou e dessa vez caiu. Louvável a capacidade de resistência e de articulação do ex-presidente do Banco do Nordeste. Certamente, passa a compor a lista dos mais longevos dirigentes da mais importante e valiosa instituição federal com sede no Nordeste brasileiro. Na presidência do BNB, Rolim passou por Michel Temer e Jair Bolsonaro. Antes, com Dilma Rousseff já era um dos diretores executivos.

Assume o comando do BNB o experiente Anderson Possa. É um interino com cara, jeito e trajetória de nome definitivo. Porém, no mundo controlado pelos humores de Brasília, absolutamente nada é definitivo. Uma coisa dá-se como certa: o interino vai articular e trabalhar para se tornar efetivo.

É fato que as especulações em torno da indicação de Anderson Possa já rondavam Brasília há meses. Seu nome circulou por gabinentes de proeminentes figuras da política e, obviamente, do próprio Palácio do Planalto. Originário da Caixa Econômica, Possa tem características técnicas. Na política, mantém proximidades variadas, principalmente com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

A julgar pela sucessão de acontecimentos, o novo presidente (interino) do Banco do Nordeste chega com uma missão muito clara: mudar a forma como a carteira de microcrédito do BNB é operada. Estima-se que se trata de algo em torno de até R$ 30 bilhões que chegam aos interessados através de mais de 7 mil “pastinhas”, os vendedores dos empréstimos contratados e credenciados pelo Inec, uma Organização Não Governamental controlada por profissionais com óbvia ligação com o PT.

Daí o incômodo de Brasília com o fato. Daí o incômodo de Bolsonaro com Rolim, que resistiu até o fim a mudar esse formato. Para se ter uma ideia da dimensão das coisas, no que se refere a 2020, em plena pandemia, a carteira ativa dos programas de microfinanças do BNB somou nada mais, nada menos do que 3,5 milhões de clientes e R$ 15 bilhões contratados. Ou seja, os 7 mil profissionais recrutados pelo Inec mantêm acesso a esse imenso público beneficiado por empréstimos baratos.

Funciona assim: o INEC não ganha percentuais por cada operação realizada, como ocorre com os empréstrimos consignados. No entanto, de acordo com o contrato firmado, o BNB paga à entidade para que ela faça o serviço de vender os empréstimos na ponta. Ou seja, cabe ao Inec fazer chegar o dinehro aos interessados.

Em junho de 2018, por exemplo, o Banco firmou duas parcerias repassando recursos para a ONG. Os valores são milionários. Para o Crediamigo, o repasse naquele ano foi de R$ 669,2 milhões. Para o Agroamigo, o Inec recebeu R$ 216,6 milhões. Ou seja, são quase R$ 900 milhões como pagamento.

No mundo dominado pela tecnologia, com o sistema financeiro passando pela avassaladora e disruptiva ação das Fintechs, que quebram a hegemonia até dos bancões, parece ser algo medieval, e muito caro, manter sete mil pessoas controladas por uma ONG para vender empréstimos em plena era digital.

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