
Fábio Campos
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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sai como o grande líder do processo de aprovação das reforma da Previdência. O parlamentar, filho do economista César Maia, que chegou a compor a ala histórica do brizolismo, não se fez de rogado e ocupou o imenso vácuo político deixado pelo presidente Jair Bolsonaro e pela improdutividade da articulação política do Palácio do Planalto.
Nunca antes nesse País um presidente da Câmara foi à tribuna para fechar o debate antes da votação de uma matéria com tanta relevância. Aproveitou para fazer a defesa do Parlamentoe de seus componentes. “Tenho orgulho de presidir a Casa com esses componentes. Isso é que faz o protagonismo deste parlamento como nunca teve”, demarcou. “Investidores de longo prazo não investem em País que ataca as suas instituições, disse.
Maia colocou suas fichas na mesa e bancou a aposta. Chamou para si a responsabilidade da articulação e conduziu com maestria a maioria a favor da reforma. E há de se dizer: nunca antes uma reforma tão relevante tramitou e foi aprovada sem o toma lá, da cá. Afinal, até aqui, não há notícias de distribuição de cargos com os famosos ministérios de porteiras fechadas. Liberar emendas não se enquadra no troca-troca que marcou a Republica brasileira nas ultimas décadas.
Mas, o que Maia ganha com isso? Primeiro, a demonstração de liderança é um componente clássico da política e do exercício do poder. Nesse sentido, o deputado estabeleceu para si todas as credenciais. Todos os líderes governistas fizeram referências, em suas falas, a Maia. Ou seja, há o reconhecimento de seus pares.
Claro que Maia fez uma aposta arriscada. Sabe-se do componente liberal e reformista do deputado, porém trata-se de um politico e, portanto, é de praxe que faça cálculos políticos. E Maia certamente o fez. Qual seria? Muito provavelmente, a aposta de que os naturais desgastes oriundos de uma reforma que não é popular trará resultados não tão demorados no bolso do cidadão.
Como? Ora, ninguém acredita que a reforma em si gere desenvolvimento. De fato, não gera. Porém, dez entre dez economistas que se prezem, inclua-se na lista o Mauro Benevides Filho, dizem que não há chances de iniciar um processo de crescimento na economia sem a dita reforma, além de outras. Então, a aposta é grande.
Trocando em miúdos, o “general Maia” conduziu a abertura das portas para um caminho de méritos do processo econômico do Brasil, um País injusto que paga aposentadorias milionárias para uns poucos privilegiados e aposentadorias miseráveis para todo o resto.







