Por que é uma boa notícia o estudo mostrando que a Covid se espalhou pelo mundo

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Por Fábio Campos
fabiocampos@focuspoder.com.br

Reportagem da revista britânica The Economist aponta que uma das certezas acerca da Covid-19 é que o contágio se espalhou mais rápido do que os dados oficiais são capazes de medir. A maioria dos países testou com moderação, concentrando-se nos doentes. Apenas 0,1% dos americanos e 0,2% dos italianos foram testados e apresentaram resultados positivos. O Brasil testou ainda menos que os EUA ou a Itália.

Um artigo de Justin Silverman e Alex Washburne usa dados sobre doenças semelhantes à influenza para mostrar que o Covid-19 está agora difundido nos Estados Unidos. Diante disso, o raciocínio é o seguinte: A Covid-19 leva 20-25 dias para matar vítimas. O estudo calcula que 7 milhões de americanos foram infectados de 8 a 14 de março, e dados oficiais mostram 7.000 mortes três semanas depois. A taxa de mortalidade resultante é de 0,1%. Portanto, semelhante à da gripe.

O que poderia soar alarmante (o número gigante de contagiados), é reconfortante (a baixíssima taxa de mortalidade). O 0,1% de mortalidade “é incrivelmente baixo, apenas um décimo de algumas outras estimativas”, aponta o texto da The Economist. “Talvez os hospitais de Nova York estejam transbordando porque o vírus é tão contagioso que, em uma semana, atingiu o equivalente a um ano de casos de gripe”.

Por esse raciocínio, a taxa de mortalidade por Covid no Brasil também pode ser muito baixa e equivalente às das gripes. Com baixíssima testagem e, portanto, sem dados confiáveis, o País não sabe ao certo quantos brasileiros já foram contaminados pelo coronavírus, principalmente pela grande quantidade de assintomáticos ou com sintomas leves.

Porém, estima-se que o número de casos de Covid-19 no Brasil pode ser até 12 vezes maior do que mostram os dados oficiais. Pelo meno é essa a conclusão do NOIS (Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde) da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio).

De acordo com esse levantamento, apenas 8% das infecções são notificadas. A porcentagem foi obtida calculando uma taxa de mortalidade esperada, levando em conta a pirâmide etária do local estudado; e a proporção de mortos em relação aos casos com desfecho — ou seja, se o paciente faleceu ou se recuperou. Quanto maior for a diferença entre a taxa de mortalidade esperada e a mortalidade nos casos com desfecho, maior será a subnotificação, dizem os pesquisadores.

Caso a perspectiva do estudo brasileiro esteja correta, há possivelmente hoje no Brasil cerca de 310 mil infectados, já com imunidade ou ainda no desenvolvimento do contágio. Até aqui (tarde de quarta-feira, 15), foram cerca de 1.600 mortes no Brasil. Ou seja, uma taxa de mortalidade de aproximadamente 0,5%. No entanto, seguindo a linha norte-americana, a quantidade de subnotificação no caso brasileiro pode ser ainda maior, o que elevaria mais para baixo o índice de mortalidade.

Fontes: “Usando a vigilância ILI para estimar taxas de detecção de casos específicos do estado”, por J. Silverman & A. Washburne; Johns Hopkins CSSE

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