O que esperar da advocacia atual. Por Marília M. Peixoto do Amaral

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Marília Matos Peixoto do Amaral é advogada, sócia do escritório Amaral & Matos Advocacia e Mediação, founder e CEO do Comunicação Pública App.

Por Marília Matos Peixoto do Amaral
Post convidado

Até bem pouco tempo o profissional do direito era muito analógico, no seu dia a dia estavam presentes os documentos físicos, xerox de processos, recortes de diário/jornais. Hoje o escritório de advocacia está (ou deve estar) muito mais próximo de uma empresa de tecnologia, onde os processos digitais e documentos são arquivados em nuvens e a utilização de sistemas contribui para maior eficiência. Demandou tempo, mas o trabalho do advogado foi muito importante na aceleração deste movimento de transformação digital.

No direito ainda há grande resistência à tecnologia, o que não deveria ocorrer uma vez que se trata de uma ciência social aplicada, onde se faz necessário reconhecer as transformações sociais e que o próprio status do direito mudou, tornando os serviços jurídicos mais democratizados e cada vez mais acessíveis, e que todo esse novo cenário traz necessidades de mudanças que devem ser envolvidas com a tecnologia.

Primeiro tivemos a digitalização dos processos, seguido da virtualização dos pedidos e da emissão de guias e expedientes eletrônicos, no entanto, acredito que vivenciamos muito mais que uma transformação de processos e sim uma transformação no modo de trabalhar, que se reflete numa mudança do que é uma entrega de valor e no que é a própria profissão de advogado em sua missão constitucional.

Temos hoje mais de 1 milhão e 200 mil advogados no Brasil (proporção de 01 para 175 cidadãos brasileiros), que no geral possuem conhecimento formalizado em diplomas, pós, mestrados, e que tiveram formação acadêmica baseada em modelo dogmático, com valorização de conteúdo e disciplinas expositivas. Penso, porém, que o contexto mundial pede outras habilidades do profissional da advocacia tais como a capacidade de resolução de problemas complexos, de pensamento crítico e criatividade, na certeza de aquilo para o qual nos preparamos não é mais o cenário atual, e que o “futuro não é mais como era antigamente”.

Assim, a reflexão que faço nesse dia dedicado à advocacia é de que se o advogado não tem usado de novas habilidades, se não tem domínio sobre determinadas áreas do conhecimento ele pode ser substituído pela tecnologia. Ou seja, entendo que todo profissional que somente executa tarefas repetitivas (controlar prazos, elaborar documentos padrões, adequar modelos de petições, etc.) está somente tendo a ilusão de que é advogado e precisa abrir sua mente para o que estar ao redor e para as novas profissões que estão surgindo no mundo do direito.

Nesse contexto, entendo que serviço tradicional do advogado é tão padrão que pode ser todo terceirizado, e que o diferencial da advocacia não está mais somente no serviço jurídico em si, mas está, também, fora do direito, uma vez que as pessoas e empresas buscam advogados que lhes ajudem a pensar de forma diferente, a encontrar métodos não tradicionais de solução de conflitos, que consigam acompanhar a criatividade do mercado, que possuam conhecimento multidisciplinar, que não sejam amadores em relação a gestão de escritórios e clientes, e  que entreguem solução por meio de tecnologia, dentre outras habilidades.

Devemos, portanto, estar em constante estudo e preparados para que a tecnologia entre em nossos escritórios, visto que, por incrível que pareça, ela nos torna mais humanos! Pois se o que é repetitivo pode ser automatizado, o que é humano (inteligência emocional, empatia, colaboração) pode ser cada vez mais valorizado com a utilização da tecnologia!

Leia Mais
+ A advocacia e a Lei Geral de Proteção de Dados, por Eugênio Vasques
Ubi societas, ibi jus digital. Por André Parente
Advogar! Por Raquel Machado
+ O sentinela do seu direito, por Fernando Férrer

A importância da advocacia na construção legislativa, por Uinie Caminha
A “adaptabilidade” do advogado, por Andrei Aguiar
O “aprendizado de máquina” na nova advocacia, por Frederico Cortez

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