
Equipe Focus
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O deputado estadual André Fernandes baixou o tom de voz e o tom das acusações na coletiva que deu hoje na sala de imprensa da Assembleia Legislativa. Com postura mais de deputado e menos de youtuber, o parlamentar tentou explicar as suas razões para dizer o que disse e o que fez. No caso, que havia deputados estaduais ligados a facções criminosas e suas motivações para requerer investigação do Ministério Público apresentando como “prova” um projeto de Nezinho Farias (PDT) que reconhece como “atleta” jogadores de games eletrônicos. O detalhe é que Fernandes votou a favor do referido projeto na CCJ da Assembleia.
Na entrevista, uma das maiores reclamações do deputado do PSL foi pelo que considera “vazamento” do documento que entregou ao Ministério Público que, para ele, era sigiloso. Com exclusividade publicado pelo Focus, o documento com a grave acusação contra Nezinho Farias (ligação com o PCC) causou imenso alvoroço na Assembleia Legislativa. O deputado acusado negou tudo e disse que vai processar Fernandes. O clima entre o jovem deputado e os colegas da Assembleia, que já exalava azedume, piorou de vez.
Só que não houve vazamento e muito menos sigilo. Quem concede sigilo a um documento ou a uma investigação é o Procurador-Geral de Justiça. No caso, o procurador Plácido Barroso Rios. Em conversa com o Focus, o procurador disse que jamais colocou a denúncia do deputado na condição de sigilosa: “Li e vi que não havia nenhuma razão para decretar sigilo”, explica Plácido. “Sigilo é exceção. A regra geral é a publicidade”, disse o procurador.
“Tratava-se de uma acusação gravíssima, que colocava em xeque o Poder Legislativo, baseada em especulação que, ao meu ver, feneceu por não haver suporte relevante diante do que até aqui foi exposto”, sustenta o Procurador-Geral.
Agora, quem vai ter que dar mais explicações é o próprio deputado André Fernandes. Plácido relatou ao Focus que notificou o parlamentar para depor na Procuradoria na próxima quarta-feira. O objetivo é que o parlamentar preste esclarecimentos sobre a denúncia que fez e, sendo o caso, ofereça mais detalhes que possam sustentar a instauração de um procedimento de investigação criminal. “Espero que tenha algo a mais a dizer”, declarou Plácido.
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