Momentos em que Jesus Cristo atuou como advogado. Por Roberto Victor

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Roberto Victor Pereira Ribeiro é advogado e Presidente da Academia Cearense de Direito. Foto: Divulgação

Por Roberto Victor
Post convidado

Certa ocasião, na direção do meu carro, deparo-me com trânsito lento no percurso de meu trabalho para a casa. Entediado resolvi ligar o som do carro para escutar uma boa música enquanto o trânsito vagarosamente se diluía. Buscando sintonizar uma estação que me ofertasse boa música, acabei parando em uma rádio Gospel que estava tocando a seguinte canção: “Advogado Fiel” com a interpretação de Bruna Karla. Achei interessante, uma vez que a canção falava de duas coisas muito peculiares a minha vida: Jesus Cristo e Advogado. Publiquei, em meados de 2010, uma obra intitulada “O Julgamento de Jesus Cristo sob a luz do Direito” e atualmente exerço o glorioso ofício de advogado, profissão esta, que me orgulha muito.

Escutando a música, parei para pensar: engraçado, nunca vi nenhum texto ou artigo tratando as vezes em que Jesus Cristo fez o ofício do bom advogado. Cheguei à casa e comecei a rabiscar o presente artigo.

Antes de mais nada, gostaria de deixar consignado, que não é nossa pretensão polemizar ou adentrar solo religioso, trata-se apenas de um artigo demonstrando sob a ótica de nossa opinião as ocasiões em que Jesus Cristo advogou em patrocínio dos cidadãos de sua época.

Também se faz mister comentar que só incluí no presente trabalho as ocasiões em que se perfazem a condição exposta no art. 2º, §1º do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil.

“Art. 2º O advogado é indispensável à administração da justiça.

  • 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.”

Em Mateus, capítulo 4, versículos 1 a 11, Jesus depara-se com as tentações diabólicas do “pai da mentira”. Esta narração é conhecida como as tentações de Jesus.

Como bom jurista, Jesus defende-se apresentando contra-argumentos baseados na lei de seu povo e de Deus:

O diabo, sabedor de que Jesus havia jejuado 40 dias e 40 noites, atenta-lhe a transformar as pedras em pães, e eis que Jesus assevera: “Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”

O príncipe do mal lhe oferece ainda mais duas outras tentações, mas Jesus escapa de todas com a sabedoria que lhe era peculiar e com o bom uso da Lei, que hermeticamente estava alojada em sua consciência.

Um bom advogado deve ser, antes de tudo, um bom leitor e um exímio conhecedor das leis que regem sua nação, sob pena de uma vez alçado à patrono de alguém, fazê-lo derrotado no litígio que se encontra.

Jesus, sem dúvida alguma, tinha uma sabedoria magistral em relação à lei de Deus e às leis dos homens.

O advogado tem o dever de ser o paladino da justiça; o escudo armado de Davi e a espada afiada de Salomão contra as injustiças que reinam no mundo.

O exemplo deve vir deste profissional, a fim de que se dissipem as desigualdades e as indiferenças sociais. O advogado é o intérprete da lei; e a lei é o direito; e o direito é o instrumento por onde as desigualdades se igualam.

Em Mateus, capítulo 5, versículo 13 a 16, Jesus exorta aos homens para que sejam “A luz do mundo e o sal da terra”. Para Ele, o homem deve ter o sabor do sal para não se indiferente na vida e o clarão da luz para guiar os outros. Deve ser o diferente do bem.

Prosseguindo em Mateus, no mesmo capítulo, desta vez entre os versículos 17 e 20, temos o primeiro relato claro entre Jesus e as leis.

Jesus adverte: “Não penseis que vim suprimir a lei: não vim suprimir, mas cumprir.”

Todo bom advogado deve rezar a cartilha de Ruy Barbosa quando o mesmo clama: “Com a Lei, pela Lei e dentro da Lei”.

O advogado deve ser, antes de tudo, um incansável perseguidor da paz e da harmonia pública. É necessário retirar essa imagem de que todo advogado procura o litígio, a querela, a confusão, não, o bom advogado visa à paz social, e não os conflitos entre concidadãos.

Jesus aconselha um seguidor da mesma maneira:

“Põe-te logo de acordo com teu adversário, enquanto estás ainda a caminho com ele; não  aconteça que esse adversário te entregue ao juiz”.

Em Mateus, capítulo 12, encontramos a primeira grande defesa de Jesus. Os seus discípulos entraram em uma propriedade e passaram a retirar espigas de milho e a consumi-las. De repente os sacerdotes observam a cena e passam a repreender os discípulos de Jesus por estarem comendo milho em dia de sábado. Imediatamente, Jesus toma a defesa dos seus e proclama: “Não lestes o que Davi fez, quando teve fome, ele e seus companheiros, como entrou na casa de Deus e como comeram os pães […] não teríeis condenado esses homens, que não cometeram falta”.

Os sacerdotes não esperavam por uma defesa tão majestosa de Jesus, baixaram a cerviz e retornaram aos seus afazeres.

Em Lucas, capítulo 16, versículo 17, o evangelista faz questão de ressoar novamente as palavras de Jesus expostas em Mateus: “É mais difícil passarem o céu e a terra do que cair da Lei uma só vírgula”.

Essa passagem serve para elidir o pensamento daqueles que acham que Jesus era sedicioso.

E em João, Capítulo 8, onde encontramos a mais célebre defesa de Jesus.

Jesus com seus discípulos puseram-se em direção ao monte das Oliveiras para lá se sentarem e conversarem um pouco. De repente, surge uma multidão trazendo manietada uma mulher adúltera. A face da mulher revelava todos os vilipêndios que havia passado desde a sua captura até o momento em que foi trazida a presença de Cristo. Os fariseus, sagazes como eram, empurraram a mulher no chão e interrogaram de Jesus sobre o que era para ser feito, uma vez que era comum matar os adúlteros com pedradas.

Jesus, então, placidamente pôs-se a rabiscar no chão e ainda de cerviz baixa, pronunciou: “Aquele dentre vós que nunca pecou atire-lhe a primeira pedra”.

Um a um, todos foram se ausentando, primeiro os mais velhos, depois os mais moços, a ponto de ficar apenas a mulher pecadora e Jesus ao seu lado. O Mestre então pergunta: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. E Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno: vai, e doravante não peques mais”.

E, desta forma, Jesus conseguiu livrar da ira do povo, uma criatura de Deus que havia errado, mas que não merecia ser julgada com a frieza e a cólera da sociedade.

O mais triste de tudo é que o grandioso Jesus que tanto defendeu os outros, acabou perecendo nas mãos violentas dos outros.

Na primeira Carta de São João, o discípulo deixa a seguinte mensagem ao mundo: “Meus filhinhos, eu vos escrevo isto para que não pequeis. Mas se acontecer a alguém pecar, temos um advogado diante do Pai, Jesus Cristo, que é justo.

Em razões epílogas, gostaria de clamar a todos os colegas juristas e cientistas do Direito, para que possamos implementar o mais rápido possível em nosso mundo, uma atmosfera de paz, equilíbrio e harmonia social, onde todos possam saber e sentir que são seres respeitados e humanos.

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