Metamorfose e simbiose na educação superior, por Antônio Colaço Martins Filho

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Antônio Colaço Martins Filho é chanceler do Centro Universitário Fametro – UNIFAMETRO (CE). Diretor Executivo de Ensino do Centro Universitário UNIESP (PB). Doutor em Ciências Jurídicas Gerais pela Universidade do Minho – UMINHO (Portugal), Mestre em Ciências Jurídico-Filosóficas pela Faculdade de Direito da Universidade do Porto (Portugal), Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará. Autor das obras: “Da Comissão Nacional da Verdade: incidências epistemiológicas”; “Direitos Sociais: uma década de justiciabilidade no STF”. colaco.martins@unifametro.edu.br. Escreve no Focus.jor.

Por Antônio Colaço Martins Filho
Post convidado

As salas de aula estão vazias. Os laboratórios, desguarnecidos de aprendizes. As clínicas universitárias descarnadas de praticantes e pacientes. Vazios e ociosos, os campi universitários e suas instalações de atendimento à comunidade contrastam com o contexto pré-pandêmico, em que as Instituições de Ensino Superior – IES’s disponibilizavam uma grande quantidade de imóveis e equipamentos para atividades de cunhos teórico e prático.

Ministério da Educação e mercado de trabalho têm a expectativa de que os portadores de diploma superior sejam capazes de se auto organizar para articular e concretizar conhecimentos e habilidades necessários para resolver problemas, respeitando os valores da sociedade e da corporação em que se inserem. O que se espera do processo de formação superior não é, portanto, a mera assimilação de técnicas e conhecimentos, mas a transformação do aluno no nível atitudinal.

Durante o primeiro semestre, as IES’s enfrentaram o desafio de propiciar a metamorfose acima mencionada num contexto de distanciamento físico entre mestres e aprendizes.  Nesse novo contexto de distanciamento social, a seguinte questão se impõe ao gestor educacional: que atividades presenciais são absolutamente imprescindíveis para propiciar a transformação preconizada pelo desenvolvimento das competências?

À luz do distanciamento social e da experiência educacional de 2020.1, constatamos que a infraestrutura dedicada, antes da pandemia, à educação superior tende a ficar ociosa. Muitas são as vozes que apontam que essa ociosidade não será transitória e, portanto, que a ocupação de tais espaços – notadamente daqueles dedicados exclusivamente a atividades teóricas – nunca voltará a patamares pré-pandêmicos.

Em um primeiro relance, as IES’s com infraestrutura já maturada teriam uma grande desvantagem em termos de custos em relação àquelas que têm atuação predominantemente a distância. Entendemos, contudo, que esse novo contexto apresenta oportunidades para as IES já estabelecidas. Mesmo antes da pandemia, muitas IES’s já foram bem-sucedidas em ocupar espaços e turnos ociosos.

A possível ociosidade das instalações educacionais pode abrir os olhos dos gestores das IES para a conveniência de hospedar, em caráter indeterminado, empresas e organizações sociais dentro das IES, com as finalidades de: aproximar o perfil do egresso das reais necessidades do mercado; aumentar a empregabilidade dos alunos; aprimorar a experiência educacional a partir de vivências de situações reais; desenvolver a pesquisa em torno da resolução de problemas atuais das empresas; e, ao cabo, manter relevância socioeconômica das IES’s .

Em suma, a tendência de ociosidade da infraestrutura (realidade que muitas IES vão enfrentar), acentuada pelo distanciamento social, revela a oportunidade de aproximação física, gradual e cadenciada, entre as IES’s, empresas e outras organizações sociais. Entendemos que tal aproximação simbiótica, com necessários reflexos curriculares, tende a tornar as IES’s mais relevantes, do ponto de vista socioeconômico e, por conseguinte, revela-se um aspecto fundamental para a sobrevivência de algumas IES’s.

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