Exclusivo: após comprar fábrica da Nufarm em Maracanaú, japonesa Sumitomo projeta aumento da produção

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Planta da Nufarm em Maracanaú. Foto: Divulgação Sumitomo.

Átila Varela
atila@focuspoder.com.br

Exclusivo: Após adquirir as operações da australiana Nufarm na América do Sul, a japonesa Sumitomo Chemical arrematou a unidade produtiva Maracanaú. O negócio já foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A fábrica de defensivos agrícolas, no entanto, não sofrerá nenhum tipo de mudança. É o que explica em entrevista ao Focus José Paulo Fabretti, vice-presidente sênior da Sumitomo Chemical para a América Latina.

O executivo pontua que a intenção é aumentar a capacidade produtiva da fábrica em Maracanaú. No entanto, ainda não teve oportunidade de conversar com o setor produtivo e a comunidade cearense sobre a aquisição da Nufarm por conta da epidemia de coronavírus.

Sediada em Tóquio, a Sumitomo Chemical é uma das principais empresas químicas japonesas. Está presente em mais de 180 países, com 32 mil colaboradores. Seu escritório central no Brasil fica na cidade de São Paulo. A companhia mantém ainda um centro de pesquisas localizado na paulista Mogi Mirim.

Focus –  A Nufarm possui uma unidade no Ceará. Como a Sumitomo Chemical vai olhar para esta fábrica? Quais os planos futuros?

José Paulo Fabretti –  Nada muda no tocante à unidade de Maracanaú. Pelo contrário, pretendemos aumentar a capacidade de produção da unidade. A planta industrial está no eixo estratégico da atuação da Sumitomo Chemical com a aquisição da Nufarm. Maracanaú confere capacidade produtiva à Sumitomo Chemical, permite desenvolver e ampliar a linha de produtos da marca para atender ao agricultor brasileiro e de outros países da América Latina. Importante esclarecer que o perfil empresarial da Nufarm é complementar ao modelo de negócios da Sumitomo.

Não se trata de uma fusão de operações, mas de uma união de forças, uma complementariedade, sem alterações significativas de quaisquer estruturas. Com essa aquisição, a Sumitomo Chemical aumenta sua presença no mercado como um grande fornecedor de defensivos agrícolas. Ante o momento que estamos vivendo, com a pandemia do coronavírus, ainda não tivemos a oportunidade de nos comunicarmos adequadamente com a comunidade cearense com relação à aquisição da Nufarm. Mas o faremos tão logo possível, para reiterar nosso apreço pelo trabalho, pela produção e pela excelência em qualidade que a planta de Maracanaú transferirá ao negócio da Sumitomo Chemical.

Focus – Como a Sumitomo Chemical observa a região Nordeste, em especial o Ceará?

Fabretti –  A Sumitomo Chemical tem apreço pelo Brasil, acredita no País e sabemos todos que trabalhamos numa potência agrícola, num gigante da produtividade, num ícone do agronegócio mundial. A companhia atua há várias décadas no País, comercializamos inclusive produtos que são utilizados com sucesso na agricultura e especificamente na fruticultura nordestina.

De alguma maneira sempre estivemos presentes no Ceará, portanto, com a aquisição da Nufarm, colocamos de vez nossa marca no dia a dia do Ceará e do Nordeste. Enxergamos o Estado e Nordeste como centros dotados de grandes oportunidades para o nosso negócio. Trata-se de regiões do País com grande potencial de desenvolvimento agrícola, industrialização em avanço e sociedade civil engajada na construção de um futuro melhor. Sumitomo Chemical será em breve uma marca forte e admirada pela população e pelos setores agrícola e industrial do Ceará e do Nordeste.

Focus – Sabemos que a pandemia de coronavírus afetou muitas empresas. Como a Sumitomo Chemical tem atravessado esse momento? Investimentos e contratações serão represados? 

Fabretti :  A Sumitomo Chemical atua no setor agrícola, que tende a ser um dos menos afetados pela pandemia do ponto de vista econômico, embora, evidentemente, vá haver impactos. Nós acabamos de assumir a Nufarm, entramos agora num processo de integração que consumirá cerca de 120 dias.

Especificamente em relação ao coronavírus, tomamos todos os cuidados com nossos funcionários dos escritórios e da planta em operação, e seguimos todas as recomendações das autoridades da área da Saúde. Este momento difícil vai passar, portanto, não há nenhuma direção para represar investimentos de qualquer natureza. Produzimos para o agronegócio, a agricultura não para e os alimentos têm de chegar aos lares brasileiros, mesmo com as consequências advindas do coronavírus.

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